A “GUERRA” TARIFÁRIA ENTRE AS COMPANHIAS AÉREAS -    1ª PARTE

       A origem desta “guerra” comercial remonta da desregulamentação do transporte aéreo nos Estados Unidos ocorrida nos anos 70/80 do século passado.

      Enquanto havia a regulamentação estabelecendo exclusividade de itinerários ou/e rotas e similaridade de tarifas, o mercado estava dividido entre as companhias de uma forma mais ou menos proporcional ao tamanho e a importância que cada uma havia adquirido ao longo do tempo e os passageiros acabavam tendo de se enquadrar de alguma maneira no esquema vigente.

      Com a desregulamentação ocorrida as empresas aéreas tiveram uma possibilidade muito maior de fixar itinerários, rotas e preços de acordo com seus objetivos. A partir deste momento, inicialmente nos Estados Unidos depois em vários outros países e também nas rotas internacionais, a multiplicidade de companhias com horários e itinerários similares operando numa mesma região aumentou desproporcionalmente a oferta em relação à demanda principalmente nas épocas de baixa estação.

      Esse descompasso acentuou-se na medida em que ao longo dos últimos anos a economia internacional enfrentava períodos de crise global ou regional e conseqüentemente o poder aquisitivo da população momentaneamente via-se reduzido.

      Nestes momentos a “batalha” por passageiros era maior e muitas companhias acabaram sendo encampadas por outras.

      No Brasil esta “briga” por pax é antiga, principalmente nos vôos internacionais. O “over”, palavra que vem da expressão “over comission”, ou seja, uma comissão normal ou uma comissão extra, surgiu há mais de vinte anos.

       No início o over era oferecido pelas companhias aéreas, normalmente não IATA (International Air Transport Association = Associação Internacional de Transportes Aéreos), ou seja, pelas companhias menores, que dispunham de menos freqüências de vôos e de aviões mais antigos exatamente com o objetivo de motivar os agentes de viagens a venderem os seus bilhetes em detrimento dos bilhetes das companhias maiores.

        Como podemos constatar, ao longo dos anos, o mecanismo do over deixou de ser, entre nós, apenas uma “guerra” entre as empresas aéreas por passageiros para se converter numa “guerra” entre as agências de turismo, cujo único beneficiado aparente é o passageiro.                   

                                                                                   Voltar